quinta-feira, 17 de maio de 2012

bagunça encaixotada

Estão pintando as paredes da minha casa e eu tive que encaixotar todas as minhas coisas. Tenho a impressão de que o livro da Marguerite está perdido em alguma pilha... mas no sábado eu acho. 

De qualquer modo, nem tudo está perdido. Encontrei livros esquecidos e separei "A confissão de Lúcio", do Mário de Sá-Carneiro pra ler. Li na ponte aérea, li no sofá, li na cama. Não sei se vou terminar de ler. Amor demais a Paris, à boemia, à "arte", à lourice. Coisa chata. O Lúcio com certeza usaria o Instagram. 

Bom, acho que termino. Tem um crime, ou não. Quero tirar da frente pra ler os livrinhos da coleção nova da Folha.

sábado, 28 de abril de 2012

L'Eternité - Arthur Rimbaud


L'Eternité

Elle est retrouvée.
Quoi ? - L'Eternité.
C'est la mer allée
Avec le soleil.

Ame sentinelle,
Murmurons l'aveu
De la nuit si nulle
Et du jour en feu.

Des humains suffrages,
Des communs élans
Là tu te dégages
Et voles selon.

Puisque de vous seules,
Braises de satin,
Le Devoir s'exhale
Sans qu'on dise : enfin.

Là pas d'espérance,
Nul orietur.
Science avec patience,
Le supplice est sûr.

Elle est retrouvée.
Quoi ? - L'Eternité.
C'est la mer allée
Avec le soleil.

Quoi? L'Éternité - A memória e as lembranças

Não é que eu desisti do Proust. Apenar criei um pequeno intervalo para dar atenção à nova leitura das aulas de francês.




Devo confessar que não estava muito animada, pois há uns dois anos "tentei" ler Souvenirs Pieux e não rolou. Agora, talvez, com o francês um pouco melhor, a leitura está fluindo e é maravilhosa. 


Este livro, junto com Souvenir Pieux e  Archives du Nord, compõe a trilogia Le Labyrinthe du monde, sobre as memórias da família da escritora. Mas ela não nega que há dificuldades, que há lacunas que são preenchidas com fatos sobre os quais não se tem tanta certeza, que a memória é falha:


Ce décalage si marqué prouve à quel point noitre mémoire éloigne ou rapproche les faits, en d'autres cas les enrichit ou les appauvrit, et les transforme pour les faire vivre. La mémoire n'est pas une collection de documents déposés en bon ordre au fond d'on ne sait quel nous-même; elle vie et change; elle rapproche les bouts de bois mort pour en faire de nouveau de la flamme. Dans un livre fait de souveniers, il fallait que ce truisme fut énoncé quelque part. Il l'est ici.


O que é verdade, o que é inventado... não importa. Esse livro não é uma sequência chata de fatos, uma uma composição muito bonita de acontecimentos, bem costurada e bem comentada. Não vejo a hora de ler o resto. 



Ah, e sim, é verdade, o mundo está cada vez mais careta. 

domingo, 11 de março de 2012

Sobre ler devagar um livro interminável

Um dos motivos que sempre me desincentivou a ler "séries" foi a maldita da ansiedade. Explico: uma vez eu varei a noite lendo Como água para chocolate, de cabo a rabo, porque não conseguia encontrar uma brechinha para deixar o livro de lado. Era ansiedade demais pra saber como ia terminar.
Imaginem, então, lendo esses thrillers que estão na moda. Eu tinha a sensação de que não ia aguentar esperar o próximo lançamento ou ia passar mais noites em claro. Aí eu li a coleção do Harry Potter e sobrevivi. Não que isso tenha algo a ver com ler Em busca do tempo perdido... ou tem? Apesar de todas as distâncias que possa haver entre esses dois livros - na minha estante, nem é tão grande - comecei esse post com Harry Potter e cheguei em Proust. Estranhos caminhos.
Isso tudo, na verdade, é pra dizer que o Proust está me ensinado a ler sem ansiedade. Não que eu não pense nele durante o dia e não espere com alguma angústia o momento de chegar em casa, passar pelo ramerrame e abri o livro. É que é tão grande e tão denso que eu sei que vou demorar uns 3 anos pra terminar. Então, eu posso me deter em um parágrafo por 10 minutos ou ler 3 páginas nesse tempo, que tantufas.
Estou me detendo, por enquanto. E eu me deti outro dia numa passagem que não sai da minha cabeça, porque faz com que eu me sinta como o narrador se sente em relação a Bergotte (o escritor favorito do narrador criança, cuja principal qualidade é ver os detalhes do mundo imperceptíveis para os comuns). Segue:

Perto da igreja, cruzamos com Legrandin, que conduzia a mesma dama a seu carro. Passou por nós sem interromper a conversa com a companheira e fez-nos, com o rabo do olho, um sinal de certo modo independente das pálpebras e que, não acionando os músculos do rosto, pôde passar despercebido a sua interlocutora; mas, procurando compensar com a intensidade do sentimento o campo um pouco estreito em que circunscrevia sua expressão, fez cintilar, naquele cantinho azulado que nos reservava, toda a sua benevolência que, ultrapassando a jovialidade, raiava pela malícia; apurou as finezas da amabilidade até os piscamentos da conivência, às meias palavras, aos subentendidos, aos mistérios da cumplicidade; e finalmente exalçou as garantias de amizade até os protestos de ternura, até a declaração de amor, iluminando então só para nós, de um langor secreto e invisível à castelã, uma pupila enamorada em um rosto de gelo.

Isso tudo foi visto em um cantinho azulado.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Em busca do tempo perdido - as palavras que não significam nada

Pronto, mudei a imagem.

No youtube tem o filme, com o Jeremy Irons, baseado no Amor de Swann.

Quero ver, embora o bom seja ler. Nem é pela história. É pelas palavras, pelo jeito como são escritas, às vezes só porque são bonitas, às vezes pelo que significam. Por isso gosto de descrições: são boas na medida em que são bens feitas, mesmo que sejam sobre algo feio, algo inútil ou irrelevante.

Mas vejam, o Bloch, amigo do narrador, já disse algo assim, mas mais radicalmente:

-- Desconfia da tua dileção assaz baixa pelo senhor Musset. É um gagá dos mais maléficos e uma sinistra besta. Devo confessar que ele, e até o chamado Racine, fizeram cada um, em toda a vida, um verso muito bem ritmado e que tem em seu favor o que para mim é o mérito supremo: não significar absolutamente nada. Ei-los.

"La blanche Oloosone et la blanche Camyre
La fille de Minos et de Pasiphaé"


Isso não se lê em filmes.


Em busca do tempo perdido

Então, esse blog tá todo abandonado e zuado e eu nem vou me dar ao trabalho de trocar as imagens, por enquanto. Mas queria compartilhar com vocês o Proust que eu tou lendo. Ainda estou no Caminho de Swann, mas li "Um amor de Swann" (capítulo do meio) e agora voltei pro início. Esse livro é o que eu sempre quis: uma sequência de coisas lindas (ás vezes da uma canseira e tem uns trechos nem tão lindos) e intermináveis... tenho certeza que, nesse ritmo, vou demorar uns 5 anos pra terminar a obra toda.

Ontem eu achei essa passagem, que me lembrou o prefácio de Tu não te moves de ti, da Hilda Hilst.

Pois, se temos sempre a sensação de estar cercados pela própria alma, não quer dizer que ela nos cinja como os muros de uma prisão imóvel; antes somos como que arrastados com ela em um perpétuo impulso para ultrapassá-la, para atingir o exterior, com uma espécie de desânimo, ouvindo sempre, em torno de nós, essa idêntica sonoridade, que não é o eco de fora, mas o ressoar de uma vibração interna.

Postei lá no feice e ninguém curtiu. Bando de bobos.


quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

México Rebelde

Resolvi retomar esse bloguezinho tão bonitinho. Já vou confessar que estou lendo a coleção do Harry Potter e estou a-d-o-r-a-n-d-o. Li coisas interessantes de junho pra cá, mas não foram os livrinhos bolivianos. Um deles foi mencionado nesse post... mais de dois anos pra ler o Julio Cortazar, que vergonha. De certo modo, ele é um dos responsáveis pelo meu retorno.
Meu professor de francês disse que três livros mudaram o jeito que se faz literatura e eu ia escolher um deles pra ler. Mas, pensando bem...
Outro dia eu fui no sebo aqui do lado, cujo dono se chama Manuel, e pedi livros sobre o México. Livros históricos, de preferência. Não tinha nada muito bom, mas, como bom vendedor que ele é, me trouxe "México Rebelde", do John Reed. Literatura, né? Só que eu adoro os americanos, especialmente os comunistas. Escrevem muito bem. Pronto, decidido. Vai se esse daí o próximo pitaco, já me ajudando a preparar o espírito pras férias!
Em breve retorno com um post decente.