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segunda-feira, 1 de março de 2010

Luz em Agosto (2)

Então, depois de zilhares de dias eu retomei a leitura de Luz em Agosto, mais porque era isso ou um livro sobre minha dissertação do que por ansiedade de saber o que ia acontecer. Parece que eu já li tanto ... e ainda tem muito pela frente. Na verdade, ele escreve tão bem que acho que dá pra pegar o livro em qualquer página e começar a ler... E essa sensação não dá pra passar por aqui.
Pra não deixar de dizer algo- e mudando de assunto totalmente - vale registrar que vi "O segredo dos seus olhos" e achei o máximo, me lembrou um pouco "El bufalo de la noche" do Arriaga, pelo climazinho thriller. Sabe-se lá porque eu chorei como há muito tempo não fazia vendo um filme.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Luz em Agosto (1)

Assim, eu sou do tipo que acredita em resenhas. Tem uns adjetivos que me cativam em especial, um deles é "delicioso". Fulano de tal ressurge com um álbum delicioso, misturando o clássico que o consagrou com contribuições de jovens artistas (tipo umas moças da nova MPB), resultando em um trabalho que se devora com todos os sentidos. Escreve isso sobre qualquer coisa que eu compro/ouço/leio na hora. Tá certo que eu me decepciono às vezes. Sem falar que todo ano tem uns 30 livros do ano.
Ok, voltando ao livro. Na orelha dele tá escrito assim: Há escritores que escrevem grandes livros. Há outros, mais raros, que instauram mundos. William Faulkner pertence a essa linhagem. Eu pensei: Ah, não pode ser - não ele especificamente, mas a idéia de instaurar mundos. Aí eu cheguei no seguinte trecho:

A memória acredita antes de o conhecimento lembrar. Acredita um tempo maior do que recorda, um tempo maior até do que o conhecimento imagina. Conhece lembra acredita em um corredor num grande longo frio despojado ressonante edifício de tijolos vermelhos escuros enegrecidos pela fuligem de mais chaminés do que a sua própria, plantado num terreno atulhado de cinza espalhada sem grama rodeado de construções industriais fumacentas e cercado por uma cerca de aço e arame de três metros como uma penitenciária ou um zoológico, onde em vagas erráticas aleatórias, com chilreios infantis pardalinos, órfãos em idêntica e uniforme sarja azul dentro e fora da recordação mas no conhecimento constantes como as paredes soturnas, as janelas soturnas onde na chuva a fuligem das chaminés adjacentes de um ano rescava como lágrimas negras.

E aí eu vi a diferença que a orelha do livro mencionou. É como da vez em que eu vi uma exposição do Michel Kikoine com o Cèzanne na cabeça. Ou quando eu comprei a Vogue Paris com a coleção de inverno e entendi porque a Stella McCartney ou a Miu Miu são fashionzinhas enquando a Chanel e a Dior são fantásticas (mas isso eu já sabia pq vi O diabo veste prada e quase decorei o discurso da malvadona explicando como a alta costura define o que é vendido a baciada nas lojas de departamento).

domingo, 22 de novembro de 2009

Luz em Agosto

Nem saberia dizer onde está o livro da Amélie. Já deixei há muito tempo a obsessão de terminar todos os livros. Se livro é uma companhia e o livro é ruim, melhor só do que mal acompanhada. E, diferentemente da vida, a companhia livresca abunda em opções e a fila nunca para de andar.
Anyway, sem mais explicações eu escolhi o Faulkner. No fundo, contrariando o que se poderia esperar de mim, eu acho os EUA um pais fascinante. Como todos, claro, tem seus prós e contras. Mas eu tenho curtido muito mais os prós americanos do que os prós franceses, por exemplo. Não sei muito bem o porquê, mas sei que tem relação com o estilo de escrita - ou as traduções, eu ainda não resolvi essa questão. É direta e geralmente simples. Meio seca. Sem frufrus. Ou, frous frous.