quinta-feira, 1 de abril de 2010

Bagunça

Meu, tá tudo uma zona.
Tenho um livro aqui em casa que me foi emprestado, mas eu simplesmente não consigo começar a ler, porque não me vem a disposição. Tenho certeza absoluta de que a cada tipo de livro corresponde uma disposição de espírito específica. Com isso em mente, pensem que eu li Um copo de cólera duas vezes. Aí eu dei uma parada no Luz em agosto. Semana passada, ou na outra, não lembro direito, retomei Ni d'Eve ni d'Adam e está me falando à alma.
Não é maravilhooooso. Começa que o gênero da Amélie Nothomb é a autoficção, seja lá o que isso for. Deve ser uma espécie de daydream que se coloca no papel. Peca, na minha opinião, por uma romantização exagerada dela mesma (ok, não conheço a moça, tou sendo venenosa). Não entendo, juro, como ela pode - no livro - dizer amar tão loucamente o Rinri, mas não sente falta dele quando estão separados, ou como ela trata tudo com ironia ou sarcasmo, como na vez em que eles vão ver Hiroshima meu amor no cinema e ele chora e ela fica zoando.
Não apenas Hiroshima meu amor é um filme (e livro, claro) lindo de morrer, como, no caso deles, tem aquela coisa meio metalinguística, sei lá, porque é a estrangeira que se envolve com o japonês. É como se eu ouvisse Samba de mon coeur qui bat, especialmente mon aquarelliste si vaniteux e não começasse a sentir saudades.
Claro, se eu fosse escrever um romance ficcional sobre mim, eu também ia querer ser uma heroína não neurótica. Mas eu sei que tou mais pra Maggie Gyllenhaal em Crazy Heart, com menção especial à cena em que o Jeff Bridges comeeeeça a compor a música que dá nome ao filme... Hahahaha, eu entendi totalmente a linha de pensamento dela.
Anyway, no more posts sobre essas coisas, quase nem falei do livro. Na verdade, se eu meio que me convenci a parar de ler, devo ter feito o maior desserviço em convecer qualquer um a comprá-lo.

domingo, 21 de março de 2010

Kolya

Gente, eu sei que eu tou super atrasada, assim, quase 14 anos. Mas ontem eu finalmente vi Kolya e é lindo, tão lindo que me inspirou sentimentos maternais. Ok, não é livro, então não vou nem dizer nada.


sábado, 20 de março de 2010

Galiléia

Acabei Le malentendu. Nem tenho comentários, li meio por obrigação. Na verdade, acho meio temerário ler peças de teatro, salvo algumas exceções. Shakespeare, claro. E eu tenho muito apreço por "Longa jornada noite adentro" do Eugene O'Neill, primeiro porque fez parte da minha (breve) jornada pela literatura dos EUA, depois porque é realmente muito bom e, por fim, porque a filha dele casou com o Charles Chaplin e eu li uma anedota muito engraçadinha sobre isso, mas não lembro direito, então não vou reproduzir. Segue abaixo a capinha do livro, exatamente a edição que eu li:


Anyway, agora eu tou lendo Galiléia, do Ronaldo Correia de Brito. Faz mais de um ano que eu queria ler e só enrolava pra comprar. Fiquei animada com uma resenha, que falava até que ele tinha ganhado o prêmio de melhor romance na segunda edição do Prêmio São Paulo de Literatura. Também não lembro o que na resenha me intrigou, mas o fato é que eu namorei o tal do livro por muitos meses.
Aí, nessa semana bipolar que eu tou tendo (com ênfase no depressivo), resolvi dar uma passada na livraria cultura pra comprar um presente de aniversário pra uma pessoa muuuuito amada. Comprei esses daqui:

e


E também comprei Galiléia pra me dar de presente de mau-humor. A-do-ro histórias que se passam em locais meio desertos (vide Amos Oz), aquela relação difícil da pessoa com o ambiente, que faz a gente sentir tudo lerdo, quente e amarelo, naquele estado que beira a vertigem. Pra diminuir o sufoco de ficar em casa, fui ao Ibirapuera começar a leitura:

Comecei, tou gostando. E não esqueci Luz em Agosto, que tem um jeitinho meio parecido, mas que me consome quando eu leio e eu não tou com excessos de ânimo consumíveis assim. O resto que eu tinha acabou-se no cinema, vendo O segredo dos seus olhos.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Le Malentendu

Pra não dizer que não tou fazendo nada, tou lendo Le Malentendu do Camus pra aula de francês. Aí o professor, que me chama de petite, mandou a gente fazer lição de casa. A minha era falar sobre a obra do Camus, mas eu fiz tudo errado e fiquei só falando do conceito de absurdo e tal, nem sabia dizer o nome dos livros dele.
Anotei uma passagem em que o Jan diz que não é possível ser feliz no exílio: Seulement, on ne peut pas être heureux dans l'exil ou dans l'oubli. On ne peut pas toujours rester un étranger.

(aí que meu dia está sendo super bom, porque 1. as horas passaram muito rápido e 2. eu senti friozinhos no estômago... piorou um pouco agora que eu lembrei que vou levar o notebook pra casa pra escrever a dissertação)

segunda-feira, 1 de março de 2010

Luz em Agosto (2)

Então, depois de zilhares de dias eu retomei a leitura de Luz em Agosto, mais porque era isso ou um livro sobre minha dissertação do que por ansiedade de saber o que ia acontecer. Parece que eu já li tanto ... e ainda tem muito pela frente. Na verdade, ele escreve tão bem que acho que dá pra pegar o livro em qualquer página e começar a ler... E essa sensação não dá pra passar por aqui.
Pra não deixar de dizer algo- e mudando de assunto totalmente - vale registrar que vi "O segredo dos seus olhos" e achei o máximo, me lembrou um pouco "El bufalo de la noche" do Arriaga, pelo climazinho thriller. Sabe-se lá porque eu chorei como há muito tempo não fazia vendo um filme.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Tempo e modernidades

Sabem o que acontece: andei meio sem tempo por conta da qualificação e, depois que o blackberry chegou, quase não uso o computador em casa, quando costumo fazer os pitacos. De qualquer maneira, deixei Luz de Agosto de lado, mas pretendo retomá-lo em breve, tão logo eu consiga organizar os mais variados aspectos da minha vida. E, como de praxe, suponho que isso só vá ocorrer depois do Carnaval. Pra não deixar passar em branco - afinal, Carnaval é uma das minhas temáticas preferidas em poesia - segue um poeminha lindo do Bandeira, Na Boca:

Sempre tristíssimas estas cantigas de carnaval
Paixão
Ciúme
Dor daquilo que não se pode dizer

Felizmente existe o álcool na vida
e nos três dias de carnaval éter de lança-perfume
Quem me dera ser como o rapaz desvairado!
O ano passado ele parava diante das mulheres bonitas
e gritava pedindo o esguicho de cloretilo:
- Na boca! Na boca!
Umas davam-lhe as costas com repugnância
outras porém faziam-lhe a vontade.

Ainda existem mulheres bastante puras para fazer vontade aos viciados

Dorinha meu amor...
Se ela fosse bastante pura eu iria agora gritar-lhe como o outro:
_____________________________________[- Na boca! Na boca!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Luz em Agosto (1)

Assim, eu sou do tipo que acredita em resenhas. Tem uns adjetivos que me cativam em especial, um deles é "delicioso". Fulano de tal ressurge com um álbum delicioso, misturando o clássico que o consagrou com contribuições de jovens artistas (tipo umas moças da nova MPB), resultando em um trabalho que se devora com todos os sentidos. Escreve isso sobre qualquer coisa que eu compro/ouço/leio na hora. Tá certo que eu me decepciono às vezes. Sem falar que todo ano tem uns 30 livros do ano.
Ok, voltando ao livro. Na orelha dele tá escrito assim: Há escritores que escrevem grandes livros. Há outros, mais raros, que instauram mundos. William Faulkner pertence a essa linhagem. Eu pensei: Ah, não pode ser - não ele especificamente, mas a idéia de instaurar mundos. Aí eu cheguei no seguinte trecho:

A memória acredita antes de o conhecimento lembrar. Acredita um tempo maior do que recorda, um tempo maior até do que o conhecimento imagina. Conhece lembra acredita em um corredor num grande longo frio despojado ressonante edifício de tijolos vermelhos escuros enegrecidos pela fuligem de mais chaminés do que a sua própria, plantado num terreno atulhado de cinza espalhada sem grama rodeado de construções industriais fumacentas e cercado por uma cerca de aço e arame de três metros como uma penitenciária ou um zoológico, onde em vagas erráticas aleatórias, com chilreios infantis pardalinos, órfãos em idêntica e uniforme sarja azul dentro e fora da recordação mas no conhecimento constantes como as paredes soturnas, as janelas soturnas onde na chuva a fuligem das chaminés adjacentes de um ano rescava como lágrimas negras.

E aí eu vi a diferença que a orelha do livro mencionou. É como da vez em que eu vi uma exposição do Michel Kikoine com o Cèzanne na cabeça. Ou quando eu comprei a Vogue Paris com a coleção de inverno e entendi porque a Stella McCartney ou a Miu Miu são fashionzinhas enquando a Chanel e a Dior são fantásticas (mas isso eu já sabia pq vi O diabo veste prada e quase decorei o discurso da malvadona explicando como a alta costura define o que é vendido a baciada nas lojas de departamento).